Filme: O Menino do Pijama Listrado(2008)

O-Menino-Do-Pijama-Listrado

Há algum tempo atrás tinha feito uma resenha sobre o livro de John Boyne, O menino do pijama listrado. Portanto, não repetirei a sinopse do filme, que segue a mesma premissa livro. Quem quiser saber mais, pode acessar o post por aqui. Também algum tempo atrás fiz resenha sobre o livro A Lista de Schindler – A verdadeira história e do documentário Auschwitz – Inside the Nazi State (2005), para quem se interessa, assim como eu, por 2ª Guerra Mundial.

Quem leu a minha resenha deve ter percebido que o grande segredo do livro está em como Boyne narra os fatos pela visão de Bruno, uma criança inocente. Antes de assistir ao filme, tive medo que ele não passasse toda a singeleza apresentada pela história, que está muito mais relacionada à psique interna de Bruno do que à guerra em si. Felizmente, meus anseios não foram correspondidos =)

Uma das coisas que achei mais legal nesse filme é que realmente houve uma adaptação das tramas para mantê-lo fiel a ideia do livro, algo que venho achando difícil de ocorrer na transformação de livros em filmes: ou o filme não tem nada a ver com  livro e perde seu sentido original, ou o filme narra os fatos exatamente da mesma maneira que o livro e acabamos perdendo na parte psicológica (que, na minha opinião, aconteceu um pouquinho com Jogos Vorazes e muuuito com Cidade dos Ossos).

O Menino do Pijama Listrado não sofre de tal problema. Uma das coisas que mais gostei foi a forma como eles mostraram a transformação da visão de Bruno em relação ao pai. Logo no inicio do filme, quando o pai dele aparece para falar que iriam se mudar eu pensei: “O quê? Por que estão mostrando o pai do Bruno tão bonzinho?”. Na realidade, cheguei a desconfiar um pouco da história, mas depois pude perceber como isso era necessário. Outra coisa que me agradou bastante foi o filme mostrar fatos sobre a 2ª Guerra Mundial que o livro nem chega a tocar, como a propaganda nazista para a juventude Hitlerista no caso de Gretel e os fornos crematórios do campo, por exemplo.

Fico feliz que eles não tenham pintado a Guerra preto-no-branco. O próprio Bruno acaba sendo influenciado pela ideologia nazista ao ler Mein Kampf, mesmo tendo um judeu como amigo. E isso acaba por mostrar que é muito simples, hoje, pintarmos os nazistas como os filhos do diabo sem nos darmos conta de toda ideologia, discurso e propaganda envolvida por trás. Aliás, falando em propaganda, a cena em que mostram as publicidades que eram feitas sobre os campos é um bom exemplo disso.

Posso dizer que, em termos de história da 2ª Guerra Mundial, achei o filme muito mais rico, mantendo toda a inocência apresentada no livro de maneira tão singela. Não é um filme sobre como os judeus foram “judiados”, não é um filme sobre como a Alemanha perdeu a Guerra, nem ao menos é relato dos sobreviventes; é um filme sobre relações humanas, a história de dois meninos inocentes que são separados não somente por uma cerca, mas por ideologias e ideologias.

Com certeza essa foi a melhor adaptação literária para os cinemas que assisti esse ano!!!

5

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Para Ler #22: O menino do pijama listrado

o-menino-pijama-listradoBruno tem apenas 9 anos e já tem que conviver com uma grande modificação em sua vida: se mudar de sua casa em Berlim para uma casa em “Haja-Vista”, em decorrência do trabalho de seu pai. Isso significa ter que abandonar seus amigos e passar a ter contato somente com mais uma criança, sua irmã Gretel (“um caso perdido!”). No entanto, não é só isso que tal espaço reserva a Bruno; adiante da janela de seu novo quarto, existe uma cerca e, atrás dessa cerca, há várias e várias pessoas, todas vestindo o mesmo pijama listrado. Em uma de suas explorações, Bruno encontrará um menino de sua idade, Shmuel, e através dessa cerca que separa dois mundos tão distintos, se tornarão amigos.

Minha história com esse livro já é um pouquinho antiga. Quando estava no colegial, minha professora de história pediu que lêssemos para ter uma perspectiva diferente da tradicional sobre o período. A realidade é que na época amei o livro! Quer dizer, se se pode amar coisas tão terríveis… Para mim, a primeira leitura foi a melhor, pois cada termo empregado por Bruno, como, por exemplo, “Haja-Vista” e “Fúria”, era uma descoberta que eu tinha de realizar. Por isso estou sendo tão cuidadosa nessa resenha para não falar de mais.

Hoje, 3 anos depois, resolvi reler o livro para fazer uma resenha pro blog (e também porque vi que na Netflix tinha o filme e queria reler a história antes de assisti-lo). Apesar de continuar amando o livro, não foi uma experiência tão boa como a primeira lida, pois a sensação de expectativa e surpresa já havia passado. No entanto, pude perceber outros pontos da história, que antes não havia percebido.

O grande diferencial desse livro com certeza é a narração. John Boyne genialmente  nos transporta para dentro da cabeça de um menino de 9 anos que vivia na déc. de 40. Suas frases são curtas, há várias repetições para reforçar a visão de Bruno e seu raciocínio é teleológico, ou seja se desenvolve a partir da finalidade das coisas, condizente com o raciocínio das crianças. Bruno ainda é inocente, não sabe mais do que deveria saber, não tem atitudes de adulto. Lendo o livro, em nenhum momento você duvida que foi escrito por uma criança de 9 anos. A narração é tão perfeita que me transportou de volta para a minha infância!

Os soldados continuavam indo e vindo todos os dias da semana, fazendo reuniões no escritório do pai, no qual era Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção.

5

Se você ainda não leu o livro, não leia o que escreverei logo abaixo. No entanto, se você já o leu, heis uma curiosidade: (selecione para ler)

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