Filmes: Jogos Vorazes: Em Chamas (2013)

Primeiramente tenho que dizer que estou feliz só por ver um filme antes do resto do mundo. #choragringo.

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A continuação de Jogos Vorazes (The Hunger Games) baseado no livro de Suzanne Collins não traz novidades para os leitores de Em Chamas. O filme segue praticamente todos os detalhes do livro. Para quem não leu ou assistiu o primeiro filme alguns detalhes importantes não são compreendidos, por isso nossa recomendação é saber a primeira parte da história. Além disso, quem viu o primeiro filme e agora vai ver Em Chamas vai reparar que muitos detalhes ficaram melhores e são perspectiveis em todos os sentidos.

Diferentemente de Jogos Vorazes, Em Chamas traz uma parte mais política, contando o que acontece após o desfecho do 74º edição dos jogos. Agora Katniss passa ser o símbolo da esperança para os povos dos distritos.  E, com a 75º edição e comemorando o 3º aniversário de 25 anos (a cada 25 anos há uma “comemoração” especial) todos os ex participantes dos jogos tem de voltar a arena, um de cada sexo, sem restrições com idade. Não é surpresa nenhuma em que Katniss volta a arena, pois é a única vencedora do 12º distrito. Além dela, Peeta também volta a essa guerra voluntariando-se no lugar de Haymitch. Katniss e Peeta também tem que continuar a fingir o romance entre eles à mando do Snow. E agora, quem irá sobreviver?

Veja outro trailer aqui.

Ao contrário do primeiro filme onde está voltado para a ação e combate para permanecer vivo, Em Chamas deixa essa parte de lado para não cair na mesmice e foca na parte política do livro. Faz uma ligação entre o primeiro e os últimos filmes ( A Esperança será dividido em duas partes) com ótima adaptação. A personalização e caracterização é incrível e a maioria dos detalhes foram reproduzidos com categoria. Realmente detalhes do figurino foram levados muito à sério, além das cenas externas dos distritos que ficaram bem realistas.

O fim do filme é exatamente igual do livro, parece que enquanto assistia ele ia me recordando de cada detalhe sendo narrado na minha mente  e o final também não seria diferente, incrível que até algumas dúvidas que tive ao ler também tive ao ver. Mas a maioria dos detalhes só serão revelados no último livro da trilogia.

Então, no geral prefiro filmes que seguem os livros e como os autores escreveram as histórias a filmes que apenas se baseiam em algumas partes dos livros e depois descaracterizam e mudam completamente a história. Eu prefiro ver no cinema o que imaginei lendo à ver algo totalmente oposto. Se você não gosta de filmes que seguem perfeitamente os livros esse filme não é pra você. Mas se espera um livro com uma bela adaptação de Em Chamas, vale à pena ver.

Lembrando que A Esperança será dividido em duas partes. A primeira está prevista para novembro de 2014 e a segunda para novembro de 2015.

5

Para Ler #15: Jogos Vorazes, a trilogia

livro-box-trilogia-jogos-vorazes-3-volumes-novo-lacrado_MLB-O-3991441103_032013“Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demostra seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte!

Para evitar que a sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?” *

Quem me conhece sabe que adoro distopias, e antes mesmo que a modinha começasse (com Jogos Vorazes, aliás), já havia lido alguns livros a respeito do tema, como 1984 (George Orwell). Por isso, quando tomei conhecimento da sinopse do livro, tive de lê-lo.

No início, achei-o muito parecido com uma obra que já havia lido anteriormente, o Mangá Battle Royale. Porém, quando li os outros dois livros da trilogia, compreendi que havia um grande diferencial no que Suzanne Collins nos apresenta: ela reconta nossa história.

E digo, e acredito, nisso, porque há várias características que estão presentes no livro que podem ser encontradas em nossa sociedade ou sociedades de um passado não tão distante assim, como, por exemplo, a fome, a miséria, a dominação dos meios de informação, o medo de revolta, ditaduras, reality shows como manipuladores de informação, etc. Não é preciso pensar muito para perceber o que digo. As ditaduras militares, a guerra fria, a primavera árabe, e até mesmo as recentes manifestações no Brasil (conhecidas como revolta do vinagre, se você não está entendendo o que estou dizendo), em que manifestantes gritavam palavras de protestos contra emissoras de TV, estão, de uma forma ou outra representadas no livro.

E, novamente afirmo, é esse o grande diferencial do livro. Porque é impossível um livro fugir a época em que foi escrito, no entanto, pouquíssimos livros que são destinados ao público juvenil nos apresenta de forma tão crítica e sutil essa perspectiva da sociedade.

Sei que muitos que leram o livro não pararam para pensar nisso. Muitos apenas se focaram no triângulo amoroso, ou então no derramamento de sangue, todavia, se ao menos uma parcela dos leitores refletiram sobre o tema, já é um avanço. Ultimamente, ando muito chateada com os livros juvenis, principalmente os chamados Young Adults, pois poucos são aqueles que realmente passam algum conteúdo. Sei que nem todos os livros são feitos para informar, alguns possuem somente a função de divertir, porém, o que esperar no futuro de uma juventude que só se preocupa em achar (ler) o “príncipe encantado”? Querendo ou não, livros são formadores de opinião e podem influenciar no decorrer do mundo.

Já citei aqui que um dos meus seriados favoritos é The Closer. Na segunda temporada, Brenda encontra um agente da CIA que faz a seguinte declaração:

— Estranho não é? Nossos inimigos nunca mudam. Na Segunda Guerra Mundial recitavam “Mein Kampf” enquanto colocavam as pessoas nas câmaras de gás… E na maior parte da minha vida profissional, atiravam na sua nuca, em nome de Marx e Engels. Agora usam inapropriadamente o Alcorão. As mesmas pessoas. Livros diferentes.

Portanto, na minha opinião, o mérito de Jogos Vorazes se encontra em não ser somente mais uma história bobinha para adolescentes, feita para vender.

E talvez, por isso, que essa seja uma resenha incomum, porque falo de três livros ao mesmo tempo. É que seria impossível dar o enfoque que estou dando até agora se falasse deles separadamente. A autora aborda a sociedade e a revolução nos três livros. Desde o momento em que é somente uma fagulha, até que ela explode.

Acima citei a “Revolta do Vinagre”. O segundo livro possui um trecho que representa bem, para mim, aquilo que ocorreu no Brasil nas últimas semanas:

Esperamos os outros voltarem, mas quando os elevadores se abrem, apenas Haymitch aparece.

— Está uma loucura lá. Todo mundo foi mandado para casa e eles cancelaram a reprise das entrevistas na televisão.

Peeta e eu saímos correndo em direção à janela e tentamos entender a agitação nas ruas.

—  O que estão dizendo? — pergunta Peeta. — Eles estão pedindo que o presidente pare os Jogos?

— Acho que nem eles mesmos sabem o que pedir. A situação toda é inédita. Até a ideia de se opor à agenda política da Capital é uma fonte de confusão para as pessoas aqui — diz Haymitch.

E creio que representa bem porque as pessoas foram às ruas sem saber ao certo pelo que pleitear. Sem saber se era possível isso, pois já há tanto tempo tempo não ocorria um movimento desse gênero, que ele ficou “adormecido na memória” (“O Gigante não está mais adormecido”, lembram?)

Agora, quanto ao que sempre comento dos livros (personagens, narração, ritmo, etc.)

Devo começar dizendo que a tradução da Rocco está uma BOSTA! Desculpem-me o palavreado, mas é a mais pura verdade. Está tão ruim que eles próprios readaptaram termos do primeiro para o segundo livro e destes para o terceiro. “Katniss, a Garota Quente”… Tsc, tsc…

Quanto aos personagens, adorei que, finalmente, apareceu nos livros juvenis uma protagonista que toma as rédeas da situação para si, que não se desmerece em favor de seus pares românticos e que tem atitude. Já havia dito na resenha de A Mediadora que a Suzannah era uma das melhores partes. Acontece que a Katniss é  muito mais altiva, independente, e sinceramente, já estava cansada de esperar uma personagem assim nos livros juvenis (Novamente o meu descontamento aparecendo…)

A narração, para mim, em conjunto com os recursos estilísticos, foram muito bons. Em alguns momentos, você sente a história “correr” mais rápido ou mais devagar, mas mostra justamente, aquilo que ocorre com a Katniss: momentos em que ela tem de lutar de forma feroz para sobreviver, momentos em que ela sente que não pode fazer nada para mudar a situação.

Nunca disse isso antes aqui, entretanto, toda vez que avalio um livro, avalio como se fosse seu público alvo, mesmo que eu não seja. Sei que existem distopias muito melhores, algumas até foram utilizadas para influenciar guerras, por exemplo (é verdade, principalmente a imagem do Comunismo/Socialismo na Guerra Fria), mas tais obras não são destinadas ao público juvenil. Jogos Vorazes aborda o que pode para destinar a obra para tal público. E, por isso, nada mais justo do que merecer nota 5.

Já vi o filme (principalmente porque agora  tem na Netflix) a Netflix removeu o filme e também possuo uma bitola da onde a autora se inspirou para nomes, números e algumas características da sociedade. Quem sabe algum dia não conto pra vocês, certo? ^.~

5

*Sinopse retirada da aba do volume 1

Para Ler #14: A Hospedeira

CapaHospedeira300dpiDecidi fazer essa resenha porque há algum tempo atrás publiquei a resenha do filme. E não poderia deixar de publicar sobre o livro também. Assim, não vou falar novamente a sinopse do livro porque ficaria repetitivo. Quem tiver dúvidas pode checar nesse post.

Tenho esse livro há muito, muito tempo. Desde de que foi lançado. E para falar a verdade, já o havia lido antes de ser lançado no Brasil, em formato de E-book traduzido pelos fãs.

Por isso mesmo, posso dizer que a edição da Intrínseca está muito boa, com termos bem adaptados e com cuidado na diagramação. É um livro aparentemente grosso, mas sua leitura vai que nem quiabo.

A narração dele está melhor do que o roteiro do filme (muito melhor), porém isso não o faz uma obra prima. Creio que de todas as obras de Stephenie Meyer que li (somente a saga Crepúsculo), essa é a melhor até agora. É perceptível a melhora no estilo de narração. Ao contrário da Bela, que a única coisa que sabe fazer é respirar pela boca (alguém aí já assistiu aquele vídeo do Felipe Neto?), essas personagens tem um pouquinho de atitude (só um pouquinho, ok?), o que faz a história correr mais rápido que Crepúsculo.

Novamente Stephenie utiliza a fórmula do triângulo amoroso, só que nesse caso, é mais um quarteto de mentes e um triângulo de corpos. Estou realmente cansada dessa fórmula, principalmente da forma que é apresentada em livros juvenis.

Quem me conhece sabe que gosto muito de distopias, livros pós-apocalípticos, e tal, principalmente porque fico imaginando a forma que sobreviveria nesses mundos. Pelo menos isso eu gostei na obra. Apesar de ser uma “solução fácil”, o cenário criado por Meyer conseguiu me convencer e desejar que, caso fosse eu, também me encontrasse lá.

No final do livro (calma, não é spoiler), a autora deixa um gancho para a continuação, caso queira. A verdade é que eu não quero. Acho que a história já deu aquilo que tinha de dar; já passou a mensagem que desejava. Uma continuação só seria uma chateação e um livro a mais que eu me obrigaria a comprar.

As minhas considerações finais, portanto, são as que o livro é bom, o mundo criado pela autora, pelo menos para mim, é inovador, juntamente com seu seres.

3

Filme: A Hospedeira (2013)

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A Hospedeira retrata um mundo diferente. Um mundo onde as pessoas não são mais as mesmas; onde servem somente como “hospedeiros” de alienígenas, as chamadas “almas”. Elas modificaram muito o mundo humano, não há mais fome, guerras, violência. No entanto, existem ainda algumas células humanas resistentes, que são aqueles que não se deixam ser capturados. Melanie Stryder faz parte dos resistentes, até que um dia, para não ser capturada, decide se jogar do alto de um prédio. Porém, mesmo assim, ela sobrevive e agora uma alma chamada “Peregrina” dominará sua mente. Só que Melanie não desistirá e não aceitará ser aniquilada.

“A Hospedeira” (The Host) é baseado no livro homônimo de Stephenie Meyer, a autora de “Crepúsculo”. Eu já havia lido o livro e, talvez por isso, não tive tantas dúvidas na hora de assistir o livro. Só que a Juliana… A cada 3 minutos eu tive de responder alguma pergunta dela, porque ela não estava entendendo nada. o que mostra que o filme tem falhas, muitas falhas…

Posso dizer que essa adaptação foi bem insossa, parada. O ritmo do filme deixou muito a desejar. Para vocês terem uma ideia, eu peguei alguns catálogos da Avon e da Natura e comecei a olhar, pois o filme não estava prendendo a minha atenção. Buscando imagens para o post na internet, me deparei com algumas críticas, e foi justamente essa a principal reclamação. Segundo a Wikipedia, o Rotten Tomatoes classificou o filme como “Mal roteirizado e dramaticamente ineficaz, The Host é em grande parte insípido e tedioso, com momentos de hilaridade não-intencional”

Enquanto estávamos assistindo, a Ju começou a gritar:

Mas que filme BOSTA. Você vai fazer resenha no blog? Então escreve que esse filme é uma BOS-TA! Diz que a melhor parte é a música de encerramento, porque diz que acabou o filme! Se eu tivesse ido ao cinema assistir o filme,teria pedido o meu dinheiro de volta!

Acho que isso resume bem o que se sente quando você termina de assistir o filme. Ainda assim, devo dizer que de “certa forma” o filme está bem adaptado, leia-se fiel ao livro em termos de história. No entanto, a atuação dos intérpretes está bem fraca, assim como o roteiro e, principalmente, o ritmo.

2,5

Para Ler #7 – Destino

DestinoCassia faz parte da Sociedade, afinal é A Sociedade quem define, com base na probabilidade, o que é melhor para ela, o que deve comer vestir e fazer, quais suas atividades no tempo livre e até mesmo com ela irá se casar. Mas isso não é um problema, nunca foi, afinal, o mundo seria pior sem essa organização, não seria? E ainda por cima, Cassia teve muita sorte (sorte não, probabilidade. Sorte não existe na Sociedade) pois a pessoa destinada a se casar com ela é seu melhor amigo e vizinho, Xander. No entanto, será que o destino é realmente aquele que a sociedade diz ou somos livres para fazer nossas próprias escolhas?

Minha história com esse livro é um pouco longa e confusa. Há pouco mais de dois anos atrás, li “A Revolução dos Bichos” e “1984”, ambos de George Orwell, e 1984 sim é uma grande distopia, chegando até mesmo a ser assustador imaginar que aquilo poderia realmente acontecer em nosso contexto. Então, de um tempo para cá começou a modinha das distopias: “Jogos Vorazes”, “Insurgente”, “A Seleção”, etc. O problema é: depois que você lê uma grande obra distópica como “1984”, fica dificil achar qualquer uma dessas atuais boas.

Digo isso porque, há uns 8 meses atrás li “Destino” e não gostei. Então, há 2 dias atrás (confusa essa linha do tempo, não?) estava eu feliz e saltitante passando pelos corredores de uma biblioteca aqui perto de casa e bati o olho nesse livro e pensei “Ah, eu já li ele mas nunca fiz uma resenha. Vou levar para casa para resenhar, embora a resenha não vai ser tão boa assim…”

Comecei, novamente a ler o livro para resenhar e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ele não é tão ruim assim? Rs. A questão é que eu não sei se eu não havia gostado antes porque estava com um preconceito do livro, se estava em uma má fase, se li muito rápido e não absorvi nada ou, o que é o mais provável, se agora estou vacinada a distopias bobinhas. Por que, convenhamos, hoje basta você criar um romance impossível de o casal principal ficar junto, adicionar uma sociedade distópica e fazer disso uma trilogia que o negócio vende que nem quiabo. Então, depois que li outras distopias mais recentes e piores, “Destino” não pareceu tão ruim assim, afinal, pelo menos eles abordam, de leve é verdade, a sociedade na qual as personagens estão inseridas.

Falando sobre isso, a sociedade, senti que uma das correntes principais de argumentação do livro é abordar a questão da liberdade.

— Me mostraram um retrato. A garota que teria sido o meu par se eu não fosse o que eu sou. — Ky engole em seco.

— Quem era? — pergunto. Minha Voz parece áspera, rude. Não diz que era eu. Não diz que era eu, porque eu vou saber que você me viu somente porque te mandaram olhar.

E então, ao menos parte da mudança da minha relação com o livro eu sei explicar: Atualmente estudo Direito e uma de minhas disciplinas é filosofia. Portanto, temos que estudar (mais questionar) conceitos como felicidade e liberdade. Assim, em alguns momentos enquanto relia o livro me peguei aplicando aquilo que vi em sala de aula, com pensamentos do gênero: “Realmente, liberdade não é escolher entre a escolha A e a escolha B. Talvez seja escolher ambas, todas possiveis, uma dentre todas possíveis, ou até mesmo nenhuma” ou “Não existe realmente liberdade nem sociedade livre, pois mesmo quando fazemos escolhas que acreditamos ser por nossa própria vontade, somos condicionados por uma série de fatores, como a sociedade, a família, o contexto social, a moda, a religião, etc., aplicando valores que inicialmente não são nossos.” Sim, juro que pensei tudo isso e um pouco mais.

Mas afinal, ler não é somente apreender as palavras de um papel, é também compreendê-las, aplicando seu contexto (bagagem) cultural. Resumindo: Não gostava desse livro, antes não teria dado nem 2 estrelas e meia, mas agora desgosto um pouco (ou bastante) menos dele.

3,5

Para Ler #6 – Sangue Quente

Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos como perdemos chaves de carro, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meu talvez começasse com R, mas isso é tudo que sei. É engraçado porque quando eu era vivo, sempre me esquecia do nome das outras pessoas. Meu amigo M diz que a ironia de ser um zumbi é que tudo é engraçado, mas você não consegue rir, pois seus lábios apodreceram.

Brains! Brains!

R é um jovem zumbi que aparenta ser diferente dos outros. Ele pensa, ele sente, ele tenta se lembrar de como era ser humano. Até que em uma de suas caçadas, conhece e salva a humana Julie. R leva Julie para morar com ele em um reduto de zumbis e então, o mundo começa a se transformar novamente. Muitas mudanças ocorrerão!

Comecei a ler esse livro indicado pela minha irmã (não a Ju, a mais velha). E o que encontrei foi agradável. Sou aficionada por zumbis e nunca antes tinha lido uma história pelo ponto de vista de um, mesmo porque, achava que eles não tinham ponto de vista. O que Isaac Marion faz é trazer uma versão própria de tais criaturas. Os zumbis por eles apresentados não são iguais a concepção que costumamos ter, o que me fez gostar bastante do livro, afinal, uma leitora assídua como eu sempre procura algo novo, original.

Quanto a narração, Marion tenta construir o texto com frases curtas, justamente para conseguirmos nos identificar mais com R. No entanto, creio que ele pecou um pouco no final, deixando alguns fios soltos e um pouco confuso, porém, nada que desmereça sua criatividade. Além disso, Marion é um escritor novato e se ele publicar mais alguma coisa, com certeza lerei.

Outra coisa fenomenal é que, em certos momentos, a história chega a ser engraçada.

Não sentimos o cheiro com nossos narizes. Ele nos acerta lá no fundo, perto do cérebro, como o wasabi.

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