Para Ler #22: O menino do pijama listrado

o-menino-pijama-listradoBruno tem apenas 9 anos e já tem que conviver com uma grande modificação em sua vida: se mudar de sua casa em Berlim para uma casa em “Haja-Vista”, em decorrência do trabalho de seu pai. Isso significa ter que abandonar seus amigos e passar a ter contato somente com mais uma criança, sua irmã Gretel (“um caso perdido!”). No entanto, não é só isso que tal espaço reserva a Bruno; adiante da janela de seu novo quarto, existe uma cerca e, atrás dessa cerca, há várias e várias pessoas, todas vestindo o mesmo pijama listrado. Em uma de suas explorações, Bruno encontrará um menino de sua idade, Shmuel, e através dessa cerca que separa dois mundos tão distintos, se tornarão amigos.

Minha história com esse livro já é um pouquinho antiga. Quando estava no colegial, minha professora de história pediu que lêssemos para ter uma perspectiva diferente da tradicional sobre o período. A realidade é que na época amei o livro! Quer dizer, se se pode amar coisas tão terríveis… Para mim, a primeira leitura foi a melhor, pois cada termo empregado por Bruno, como, por exemplo, “Haja-Vista” e “Fúria”, era uma descoberta que eu tinha de realizar. Por isso estou sendo tão cuidadosa nessa resenha para não falar de mais.

Hoje, 3 anos depois, resolvi reler o livro para fazer uma resenha pro blog (e também porque vi que na Netflix tinha o filme e queria reler a história antes de assisti-lo). Apesar de continuar amando o livro, não foi uma experiência tão boa como a primeira lida, pois a sensação de expectativa e surpresa já havia passado. No entanto, pude perceber outros pontos da história, que antes não havia percebido.

O grande diferencial desse livro com certeza é a narração. John Boyne genialmente  nos transporta para dentro da cabeça de um menino de 9 anos que vivia na déc. de 40. Suas frases são curtas, há várias repetições para reforçar a visão de Bruno e seu raciocínio é teleológico, ou seja se desenvolve a partir da finalidade das coisas, condizente com o raciocínio das crianças. Bruno ainda é inocente, não sabe mais do que deveria saber, não tem atitudes de adulto. Lendo o livro, em nenhum momento você duvida que foi escrito por uma criança de 9 anos. A narração é tão perfeita que me transportou de volta para a minha infância!

Os soldados continuavam indo e vindo todos os dias da semana, fazendo reuniões no escritório do pai, no qual era Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção.

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Se você ainda não leu o livro, não leia o que escreverei logo abaixo. No entanto, se você já o leu, heis uma curiosidade: (selecione para ler)

Há algum tempo atrás assisti ao documentário Auschwitz – Inside the Nazi State e uma das pessoas mais citadas neste foi o primeiro comandante de Auschwitz, Rudolf Höss. Höss foi responsável pela criação das câmaras de gás e fornos crematórios no campo. Enquanto lia O menino do pijama listrado não consegui dissociar  Höss do pai de Bruno. Além de também ter servido na “Grande Guerra”, quando assumiu o controle de Auschwit, levou sua mulher e filhos para morar com ele, no campo de concentração. Em uma de suas citações, para o Tribunal de Nuremberg, Höss disse se arrepender de não ter passado mais tempo com os filhos.

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