Para Ler #20: Eu sou o Mensageiro

mensageiroEd Kennedy tem 19 anos e nunca encontrou algo em que fosse bom. Sempre sendo levado pela maré da vida, as coisas simplesmente foram acontecendo com ele; e quando não aconteciam, ele não fazia a menor questão de correr atrás. Sem pensar em ir para a faculdade, tornou-se taxista e para ele estava tudo bem. Até que um dia, quando está em um banco em companhia de seus amigos idiotas, um assalto ocorre e sem pensar muito, Ed reage e consegue deter o ladrão.  A partir desse momento, Ed recebe estranhas cartas de baralho pelo correio, cada uma delas com diferentes coisas a serem feitas, mensagens a serem entregues. Lentamente, a vida de Ed mudará…

Eu sou o Mensageiro é um romance do já conhecido e aclamado Markus Zusak, autor do livro A menina que roubava livros. Incrivelmente, neste, que é anterior ao seu best-seller, eu sinto uma atmosfera mais pesada, mais pessoal. A psique das personagens é muito bem construida. A orelha do livro narra que:

“Ed conhecerá novas pessoas nessa jornada. Conhecerá melhor algumas pessoas nem tão novas assim. Mas, acima de tudo, a sua missão é de autoconhecimento. Ao final dela, ele entenderá melhor seu potencial no mundo e em que consiste ser um mensageiro” (Editora Intrínseca)

E é realmente o que eu sinto, é uma jornada de autoconhecimento. Praticamente um livro escrito para o Ed, não para mim e nem para você. Mas, ao mesmo tempo, e eu sei que isso vai soar louco, escrito para todos, porque o Ed pode ser qualquer um, tanto eu como você. Entendem?

Nunca li livro de autoajuda (fora um de organização que a minha mãe tem), porém acredito que este é um livro motivador, sem soar falso. Ao fazer o Ed refletir sobre a vida dele, nos faz parar e refletir sobre a nossa. Sem forçação de barra.

Quanto a narração do livro, ele é um livro adulto, que se utiliza de palavrões, gírias, expressões que condizem com a idade do narrador, o que para mim, soou quase como se eu estivesse lendo outro autor que não o da  A menina que roubava livros. No entanto, o estilo de narração é a mesma delícia. Li esse livro em duas tacadas: os três primeiros capítulos em um dia e o resto do livro em outro; de tanto que a história te segura. Você quer saber o que vai acontecer com o Ed, como ele vai resolver os problemas, o que ele vai receber a seguir…

Teve um momento que eu achei particularmente curioso no recurso de narração em que o Ed falou diretamente conosco, os leitores, nos transformando em interlocutores diretos. É curioso isso porque em quase todo o resto do livro, parece que ele narra a história sem ter ciência que estamos acompanhando a narrativa, como se fosse uma narração em 1ª pessoa normal. Este é o primeiro momento que ele deixa transparecer que sabe que estamos acompanhando toda sua jornada, que o que estamos lendo é na verdade um livro.

Agora eu pergunto:

O que você faria no meu lugar? Me diga. Por favor, me diga!

Mas você está longe disso. Seus dedos vão virando a esquisitice destas páginas que de certa forma ligam a minha vida com a sua. Seus olhos estão seguros. A história pra você não passa de mais umas 100 páginas em sua mente. Pra mim, está aqui. É agora. Tenho que ir até o fim, considerando o custo a todo momento. (…)

Esse é, com certeza, um dos melhores livros que li no ano até o momento, com uma temática bem diferente, mais adulta, pessoal e interna. Creio que este livro não é perfeito, uma obra prima, mas que para mim, fez toda a diferença!

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