Bate Papo Literário: Livros Juvenis e a Degradação da Independência Feminina

Atenção: Este post contém spoilers sobre o enredo do filme Mulan (Disney)
Atenção: Este post contém spoilers sobre “Orgulho e Preconceito” (Jane Austen)

Meu filme preferido é Mulan, da Disney. Creio que todos já sabem o enredo, mas não custa relembrar: Fa Mulan, uma jovem chinesa, está em plena idade de casar. No entanto, em sua apresentação para a casamenteira, acaba não se saindo bem, e a casamenteira chega até mesmo a anunciar: “Pode parecer uma noiva, mas você nunca trará à sua família honra”. Ao mesmo tempo, a China está sofrendo com a invasão dos Unos, e o Imperador decide convocar um homem de cada família para servir ao exército chinês. O pai de Mulan, bastante debilitado fisicamente, é um dos convocados. Mulan, então, decide tomar o lugar de seu pai, se passando por homem e servindo no exército. Já para o final do filme, ela admite que não fez isso somente pela vida do pai, mas também porque queria provar que é capaz, mesmo sendo uma mulher.

Como dito, Mulan é o meu filme preferido, principalmente porque mostra uma protagonista forte, que não se deixa intimidar, que não depende dos outros e não fica sentada à espera do príncipe encanto.

Aí você se pergunta: Mas Viviane, isso não é um bate papo LITERÁRIO? Então por que você está comentando um filme e não um livro? Ainda mais um filme infantil?

Eu comecei com Mulan porque creio que Mulan é muito elucidativo para o que vós venho apresentar aqui. Logo mais voltaremos a esse tópico.

Ultimamente, muito me entristece alguns livros com a qual estou tendo contato, principalmente os chamados Young Adults ou simplesmente YA. Para quem não sabe, YA é uma nova denominação para os livros que estão na faixa de transição entre juvenis e adultos, no entanto, em minha mente, continuo a chamá-los de juvenis, principalmente em razão da mentalidade apresentada dos personagens. O que vou falar aqui se aplica á 9 de cada 10 deles que li, os que estão na mídia.

O que mais leio recentemente são livros em que mostram aquelas que deveriam ser as heroínas da história totalmente dependentes de seu par romântico, ou pares, no caso de triângulos amorosos; heroínas que não tomam nenhum tipo de decisão, que são fracas em suas escolhas e que somente fazem aquilo que seus “príncipes” mandam. Elas não vivem para mais nada além de conquistar o tão desejado garoto, e quando finalmente o fazem, a impressão que passam é que eles estão fazendo atos de caridade ao aceitar ficar com elas.

Isso porque, a mulher apresentada nesses livros são sempre inseguras, cheias de defeitos, sem nenhum tipo de atrativo. E nem me refiro a atrativos físicos; todas elas saem à mesma essência: sem nenhum ato de personalidade, sem nenhuma característica marcante. Já os príncipes apresentados, são realmente príncipes, no sentido conto de fadas da palavra. São garotos considerados sempre “melhores” que a protagonista, que não possuem razão para escolhê-la, e mesmo assim a escolhe. Quantas vezes você não leu a seguinte frase: “Ele poderia ter quem quisesse mas me escolheu” ou algo do gênero? E o pior: eles pisam e pisam nelas, acabam os relacionamentos várias e várias vezes e elas simplesmente sofrem e voltam como baratas tontas para eles.

crepusculo1corrigido

Talvez o que aqui escrevo não atinja a real dimensão do que desejo passar. Decidi escrever esse post depois de reassistir ao vídeo do Felipe Neto sobre Crepúsculo, a qual fui procurar para linkar em um post. A grande questão, é que ele apresentou estritamente para Crepúsculo, mas é uma cultura que se disseminou e vem se disseminando cada vez mais.

Se antigamente, criávamos heroínas como Mulan, que não tinham medo de entrar em uma guerra, ou protagonistas como a Lizzie Bennet, de Orgulho e Preconceito, que não temia recusar aquele que provavelmente seria o seu maior partido conquistado, e olha que ele foi publicado em 1813, hoje as heroínas não sabem fazer mais do que sofrer por amor. E se antes lutávamos pelo reconhecimento da independência feminina, agora criamos a mentalidade que é normal ser uma garota que “não fede, nem cheira” e  que tudo bem, porque você conseguirá aquele vampiro que brilha no sol, ou aquele super multimilionário gato.

Imaginem, então, se a história de Mulan fosse reescrita atualmente: A Mulan provavelmente se apaixonaria por alguém que não deveria se apaixonar. Provavelmente passaria no teste da casamenteira e seria “designada” à outro homem. Seu príncipe encantado, sabendo que seu pai estava frágil, lutaria em seu lugar, salvaria seu futuro sogro e conquistaria a honra necessária. E o que a Mulan faria nesse meio tempo? Provavelmente sentaria e choraria por seu amado.

Será que é realmente esse tipo de conto de fadas que devemos passar às futuras gerações? Fazer nossas filhas (minhas não, porque ainda não sou mãe) acreditarem que tudo bem depender do príncipe para tudo? Porque desse modo, é só sentar e chorar para que seus problemas sejam resolvidos….

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s